30 de mai. de 2009

Conselho de Guerra

O clangor de aço reverberava pelo ar. Centenas de forjas estavam acesas, os martelos batiam e batiam como instrumentos de uma sinfonia demoníaca. Uma fumaça escura subia aos céus e fuligem cobria os rostos dos ferreiros. O cheiro de suor e cinzas impregnava a Cidadela. Estava quente, muito quente, como se um portão para os Nove Infernos tivesse sido aberto em meio àquelas montanhas geladas.

O rei caminhava pelas vielas da cidade, queria constatar pessoalmente o cumprimento de suas ordens. Muitos de seu próprio povo e mais centenas de escravos trabalhavam até a exaustão, muitas vezes sob chicotadas. Em alguns pontos, corpos mutilados eram exibidos para mostrar o destino daqueles que não executaram suas tarefas apropriadamente.

O sol começava a se esconder no oeste distante quando um mensageiro aproximou-se do rei e disse:

- Meu senhor, Lorog acaba de retornar à Cidadela.

- Ótimo. – respondeu Obould satisfeito – Traga-a até mim.

- Não será necessário, meu senhor. – disse uma voz perto deles – aqui estou.

Mesmo o rei Obould ainda se surpreendia com as aparições de Lorog, a negra. Ela era uma fêmea alta e corpulenta, mas se movimentava de forma silenciosa sob suas vestes escuras. Dotada de uma mente arguta e versada nas artes da feitiçaria, tornara-se a principal conselheira do rei e a líder espiritual do Forte da Flecha Negra.

- Que notícias traz de Scrauth? – perguntou abruptamente o rei.

- Lamento informar, meu senhor, mas seu filho reuniu os soldados que tinha e rumou para o sul, em direção ao Salão de Mitral.

- Insolente! – esbravejou Obould – Como ousa desobedecer minhas ordens!?

- As informações que obtive indicam que Scrauth havia descoberto um caminho secreto até o Salão de Mitral através da face leste das montanhas.

- Tolo, só vai conseguir a própria morte e a dos seus subordinados com essa atitude impensada.

- Meu senhor, – disse Lorog após um instante de silêncio – aceite meu conselho: ataque o Salão de Mitral pelo oeste. A investida de Scrauth não tem chance de tomar a cidade dos anões, mas pode prover a distração necessária para o senhor esmagar os desgraçados com sua força principal. Conceda-me não mais que 100 homens e eu serei capaz de proteger o Forte da Flecha Negra contra possíveis ataques das tribos do oeste.

Obould sorriu por um instante, depois olhou para a fêmea e respondeu:

- Não, Lorog. As tribos do oeste não são mais uma ameaça. Numath e os gigantes já lidaram com eles.

A fêmea ficou visivelmente surpresa com a notícia.

- Araug liderará o ataque ao Salão de Mitral – continuou Obould – e você irá com ele. Se meus filhos estão ansiosos em matar anões e pilhar seus tesouros, não posso negar isso a eles. Mas você proverá Araug com conselhos e feitiços.

- Como quiser, meu senhor.

- A queda de Bruenor e de sua cidade não passará despercebida. Logo Lua Argêntea mandará reforços, e eu estarei esperando.

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- Continuação desse aqui.

- Se a inspiração surgir, escreverei um pouco sobre cada um dos líderes orcs envolvidos na história. Ah, e talvez sobre os PJs também. =P

26 de abr. de 2009

Incentivo Familiar

Certo dia, o garoto chegou para o pai e disse:

- Papai, me decidi: quando eu crescer, quero ser um bardo!

- Bardo? - replicou o pai fazendo uma careta.

- É, papai. Quero viajar pelo mundo, declamar poemas em praças públicas, cantar músicas em tavernas, descobrir livros antigos e um dia escrever meu próprio romance.

- Meu filho, você já ouviu a história da Formiga e da Cigarra?

- Não, papai.

- Vou lhe contar, então.

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Era outono e as formigas trabalhavam dia e noite levando folhas para o formigueiro. Uma delas costumava encontrar uma cigarra que ficava sentada na sombra cantando o dia todo. E a formiga sempre dizia:

- O inverno está chegando, você não devia estar arranjando um abrigo ou juntando comida?

E a cigarra respondia:

- O inverno ainda está muito longe, prefiro ficar aqui cantando do que me preocupar com essas coisas.

Mas naquele ano, o inverno chegou mais cedo. As formigas se abrigaram dentro do formigueiro onde tinha bastante comida, mas a cigarra - que só ficara cantando durante o outono - não tinha um abrigo, estava com fome e com frio. Bateu na porta do formigueiro e disse:

- Deixem-me entrar, estou morrendo de frio.

A formiga do outro lado respondeu:

- Nós trabalhamos duro o outono todo enquanto você ficava só cantando. Do que adianta sua música agora? Morra de frio!

E a cigarra então vagou por dias até morrer congelada sob a neve.

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- Nossa, papai! Que história triste! - disse o garoto.

- É sim, meu filho. E sabe qual é a moral da história?

- Qual?

- Você pode até se tornar um aventureiro quando crescer, mas... ESCOLHA UMA CLASSE DE VERDADE, PORRA!

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- Isso é o que acontece quando a cretinice é maior que a criatividade. =P

- Allana, nada pessoal, tá? xD

- Antes que o sindicato dos bardos me processe, eu lembro que já fiz um post legal sobre os bardos antes.

6 de abr. de 2009

Anjo de ébano


Do oceano vinha a música
Entoada pelos recifes em coral
Faziam uma sinfonia em si, dó ou ré
Regida ao capricho da maré

E então ela surgiu
E por onde passava, a vida se revelava
Ganhava brilho, desabrochava

Subiu ao palco sob o holofote lunar
E dançou ao som das ondas do mar
Seu corpo mexia e se agitava
Numa explosão sincronizada

Era uma tempestade em meio à calmaria
Era um vulcão de alegria

E todos que a viram, se encantaram
E para muitos contaram, com euforia,
Que um anjo de ébano,
Sob a lua, reluzia


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A foto é da minha amiga Bianca e foi dela que veio a inspiração para o poema. Eu sei que os leitores do Rascunhos, em geral, não gostam de poemas, mas pelo menos eles podem apreciar a imagem. =]

30 de mar. de 2009

O Missionário Mercenário

Tempus é o deus da guerra e ele favorece os bravos guerreiros de ambos os lados de uma batalha. Mas ele não aprecia derramamento de sangue gratuito, sua igreja ensina a sempre lutarmos pelo que acreditamos e, em Amn, não há crença maior que o dinheiro.

Garret não pôde deixar de sorrir diante das palavras do jovem sacerdote, mas abafou o riso e falou com um leve tom de desdém:

- E o que você tem a oferecer afinal?

Eu ofereço meus serviços como homem-de-armas e curandeiro para a sua companhia. Que os seus adversários sejam os meus e, com as bênçãos de Tempus, seus homens tornar-se-ão lutadores ainda mais fortes e destemidos. Juntos, propagaremos minha fé e multiplicaremos suas riquezas. Tudo por um preço - é claro.

O velho mercenário abriu um sorriso ainda mais largo e sincero, olhou o garoto dos pés à cabeça e respondeu em Thorass:

- Welcome to the Gold Vultures, boy.

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Thorass é o nome de um idioma antigo de Forgotten Realms do qual derivou o atual "comum". Em Amn, o Thorass é amplamente utilizado em documentos oficiais, negociações e contratos comerciais.