17 de jun. de 2009

Cavalo leva o dono aos Portões do Inferno

Parecia ser uma manhã normal. Fui à universidade logo cedo, assisti aula e estava voltando para casa. Esperava o meu ônibus tranquilamente quando o incidente aconteceu.

Uma carroça passava em frente à parada de ônibus quando perdeu o controle e invadiu o giradouro próximo à universidade. Um dos passageiros foi arremessado para fora do... veículo e ficou caído sobre a grama do local. O... condutor da carruagem demorou alguns segundos para assumir de volta o controle sobre a feroz máquina de 1 cavalo de potência, amarrando-a bem ao lado do Porteiro do Inferno.


Poucos minutos depois, a figura caída levantou-se - parecia ser uma mulher de meia-idade - e junto com o "motorista" foram a um bar próximo, suponho que para pedir gelo para os hematomas dela.

A manhã teria sido normal, não fosse pelo curioso incidente. Nas mãos de um jornalista escroto, teria virado uma divertida manchete de humor negro. Mas eu cheguei primeiro.

30 de mai. de 2009

Conselho de Guerra

O clangor de aço reverberava pelo ar. Centenas de forjas estavam acesas, os martelos batiam e batiam como instrumentos de uma sinfonia demoníaca. Uma fumaça escura subia aos céus e fuligem cobria os rostos dos ferreiros. O cheiro de suor e cinzas impregnava a Cidadela. Estava quente, muito quente, como se um portão para os Nove Infernos tivesse sido aberto em meio àquelas montanhas geladas.

O rei caminhava pelas vielas da cidade, queria constatar pessoalmente o cumprimento de suas ordens. Muitos de seu próprio povo e mais centenas de escravos trabalhavam até a exaustão, muitas vezes sob chicotadas. Em alguns pontos, corpos mutilados eram exibidos para mostrar o destino daqueles que não executaram suas tarefas apropriadamente.

O sol começava a se esconder no oeste distante quando um mensageiro aproximou-se do rei e disse:

- Meu senhor, Lorog acaba de retornar à Cidadela.

- Ótimo. – respondeu Obould satisfeito – Traga-a até mim.

- Não será necessário, meu senhor. – disse uma voz perto deles – aqui estou.

Mesmo o rei Obould ainda se surpreendia com as aparições de Lorog, a negra. Ela era uma fêmea alta e corpulenta, mas se movimentava de forma silenciosa sob suas vestes escuras. Dotada de uma mente arguta e versada nas artes da feitiçaria, tornara-se a principal conselheira do rei e a líder espiritual do Forte da Flecha Negra.

- Que notícias traz de Scrauth? – perguntou abruptamente o rei.

- Lamento informar, meu senhor, mas seu filho reuniu os soldados que tinha e rumou para o sul, em direção ao Salão de Mitral.

- Insolente! – esbravejou Obould – Como ousa desobedecer minhas ordens!?

- As informações que obtive indicam que Scrauth havia descoberto um caminho secreto até o Salão de Mitral através da face leste das montanhas.

- Tolo, só vai conseguir a própria morte e a dos seus subordinados com essa atitude impensada.

- Meu senhor, – disse Lorog após um instante de silêncio – aceite meu conselho: ataque o Salão de Mitral pelo oeste. A investida de Scrauth não tem chance de tomar a cidade dos anões, mas pode prover a distração necessária para o senhor esmagar os desgraçados com sua força principal. Conceda-me não mais que 100 homens e eu serei capaz de proteger o Forte da Flecha Negra contra possíveis ataques das tribos do oeste.

Obould sorriu por um instante, depois olhou para a fêmea e respondeu:

- Não, Lorog. As tribos do oeste não são mais uma ameaça. Numath e os gigantes já lidaram com eles.

A fêmea ficou visivelmente surpresa com a notícia.

- Araug liderará o ataque ao Salão de Mitral – continuou Obould – e você irá com ele. Se meus filhos estão ansiosos em matar anões e pilhar seus tesouros, não posso negar isso a eles. Mas você proverá Araug com conselhos e feitiços.

- Como quiser, meu senhor.

- A queda de Bruenor e de sua cidade não passará despercebida. Logo Lua Argêntea mandará reforços, e eu estarei esperando.

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- Continuação desse aqui.

- Se a inspiração surgir, escreverei um pouco sobre cada um dos líderes orcs envolvidos na história. Ah, e talvez sobre os PJs também. =P

26 de abr. de 2009

Incentivo Familiar

Certo dia, o garoto chegou para o pai e disse:

- Papai, me decidi: quando eu crescer, quero ser um bardo!

- Bardo? - replicou o pai fazendo uma careta.

- É, papai. Quero viajar pelo mundo, declamar poemas em praças públicas, cantar músicas em tavernas, descobrir livros antigos e um dia escrever meu próprio romance.

- Meu filho, você já ouviu a história da Formiga e da Cigarra?

- Não, papai.

- Vou lhe contar, então.

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Era outono e as formigas trabalhavam dia e noite levando folhas para o formigueiro. Uma delas costumava encontrar uma cigarra que ficava sentada na sombra cantando o dia todo. E a formiga sempre dizia:

- O inverno está chegando, você não devia estar arranjando um abrigo ou juntando comida?

E a cigarra respondia:

- O inverno ainda está muito longe, prefiro ficar aqui cantando do que me preocupar com essas coisas.

Mas naquele ano, o inverno chegou mais cedo. As formigas se abrigaram dentro do formigueiro onde tinha bastante comida, mas a cigarra - que só ficara cantando durante o outono - não tinha um abrigo, estava com fome e com frio. Bateu na porta do formigueiro e disse:

- Deixem-me entrar, estou morrendo de frio.

A formiga do outro lado respondeu:

- Nós trabalhamos duro o outono todo enquanto você ficava só cantando. Do que adianta sua música agora? Morra de frio!

E a cigarra então vagou por dias até morrer congelada sob a neve.

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- Nossa, papai! Que história triste! - disse o garoto.

- É sim, meu filho. E sabe qual é a moral da história?

- Qual?

- Você pode até se tornar um aventureiro quando crescer, mas... ESCOLHA UMA CLASSE DE VERDADE, PORRA!

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- Isso é o que acontece quando a cretinice é maior que a criatividade. =P

- Allana, nada pessoal, tá? xD

- Antes que o sindicato dos bardos me processe, eu lembro que já fiz um post legal sobre os bardos antes.

6 de abr. de 2009

Anjo de ébano


Do oceano vinha a música
Entoada pelos recifes em coral
Faziam uma sinfonia em si, dó ou ré
Regida ao capricho da maré

E então ela surgiu
E por onde passava, a vida se revelava
Ganhava brilho, desabrochava

Subiu ao palco sob o holofote lunar
E dançou ao som das ondas do mar
Seu corpo mexia e se agitava
Numa explosão sincronizada

Era uma tempestade em meio à calmaria
Era um vulcão de alegria

E todos que a viram, se encantaram
E para muitos contaram, com euforia,
Que um anjo de ébano,
Sob a lua, reluzia


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A foto é da minha amiga Bianca e foi dela que veio a inspiração para o poema. Eu sei que os leitores do Rascunhos, em geral, não gostam de poemas, mas pelo menos eles podem apreciar a imagem. =]