22 de jan de 2006

Faz de conta que tem um título bem legal aqui

- Daniel, Daniel.
- ...
- Acorda, meu filho, vamos.
- ...
A mãe puxou a coberta de cima do filho. Ele imediatamente enterrou a cabeça de baixo do travesseiro.
- Lembra não o que a gente combinou?
- Un... rum...
- E então!? Já tá tarde! Vamos, cuide!
O rapaz tirou o aparelho celular da cabeceira da cama. Trouxe-o para seu abrigo sob o travesseiro. Viu as horas e constatou:
- ... cinco e meia ainda!
- Já está ficando tarde pra gente ir caminhar!
- Tem problema não... a gente vai outro dia...
- Não, meu filho! O que foi que a gente combinou? Você está a meses sem fazer uma atividade física, precisa se exercitar! Além do mais...
O travesseiro podia protegê-lo dos primeiros raios solares que penetravam pela janela, mas não tinha efeito algum contra sermões maternais matutinos... O garoto se rendeu:
- Tá bom, mãe, já tou me levantando...
- Ah, que bom! Já separei seu short, sua meia e seu tênis. Bote uma blusa, passe uma água no rosto, escove os dentes e venha. Tou esperando você na sala.
O rapaz levantou-se esticando os braços e bocejando. Com o corpo mole foi trocando de roupa mecanicamente. Enquanto amarrava os cadarços, murmurou para si mesmo:
- Com tanto tipo de mãe por aí... por que a minha tinha que ser logo uma fisioterapeuta com mania de exercícios?

_________________________________________________

A Pracinha, que apesar do "inha" não tinha nada de pequena, era um lugar bem frequentado na cidade. Crianças brincavam no playground, os mais velhos jogavam dominó, os jovens namoravam... Pessoas caminhando ou correndo, ciclistas e até skatistas. O lugar era querido por todos. A prefeitura fez uma extensa reforma no ano passado, tornando a Pracinha um lugar muito bonito e agradável.
Daniel e sua mãe estavam lá, caminhando. O garoto achou ridículo repetir os alongamentos que sua mãe fazia, mas sabia que contrariá-la iniciaria outro sermão. Contudo, o que mais incomodava o rapaz era a luz do sol penetrando em seus olhos semicerrados.
Depois de meia hora caminhando, Daniel já estava cansado. Sua mãe caçoou dele e começou a correr, disparando à frente. Ele não quis ficar para trás, correu atrás dela na maior velocidade que podia.
Talvez tivesse alcançado a mãe se algo não tivesse atraído sua atenção. Sentada num banco, estava uma bela moça de longos cabelos cacheados, um diskman repousava em suas coxas e fones no ouvido. Os olhos de Daniel rapidamente foram fisgados por aquela visão. Ele a viu toda, mas o que mais chamou-lhe a atenção foi sua boca. Parecia cantar baixinho, acompanhando a música. Daniel pôde ler uma frase de seus lábios: "Take this mouth and give it a kiss".
O rosto do rapaz acompanhava a moça: começou olhando para frente, depois ao lado e a seguir para trás. O garoto esqueceu que estava correndo. Suas pernas o levavam para frente, mas sua cabeça estava voltada no sentido contrário... POFT! Daniel colidiu violentamente com uma luminária e foi direto ao chão.
Ao abrir os olhos, sua primeira visão foi aquele rosto, aquela boca. Ele achou que estava sonhando...

19 de jan de 2006

Desvendando o Post Anterior

Respondendo à pergunta do meu amigo Anônimo: "sim, o post é autobiográfico". Mas digamos que... "não é bem isso que você está pensando". O texto está inserido em todo um contexto específico. Vou ajudar vocês a entendê-lo através de algumas pistas.
É possível notar que o texto possui 3 personagens, 3 "pessoas"; só é necessário identificá-las. Há a primeira pessoa: o personagem rejeitado, a segunda: o rejeitador e a terceira: "Ela". Aqui vão as pistas:
1ª Eu, Italo, sou uma dessas pessoas;
2ª Repare que a pessoa rejeitada, embora não pareça, assinou o texto;
3ª Observe a data do post e a última frase do último parágrafo, veja também que a terceira pessoa é um personagem feminino...

E aí, deu pra descobrir? Pra quem não estuda na UFPB talvez fique mais complicado (Epa, dei uma quarta dica!) ...

11 de jan de 2006

Rejeição

Então... é isso? E-eu, eu... não esperava que você fizesse isso; sinceramente, não esperava. Poxa, a gente tava tão bem juntos, como isso foi acontecer? Foram meses tão bons, como você pôde jogar isso fora? Seus amigos, sabe, eles gostaram de mim: quando me conheciam me elogiavam, diziam que formávamos um belo casal... Mas não foi o suficiente, não é? Você me largou. Tudo por causa dELA!!!
Foi só ela aparecer de volta e você foi correndo como um cachorrinho pra ela! Agora tão aí: juntos, grudados, se vendo praticamente todo dia, que ódio! Você disse que queria algo sério agora, um compromisso... Quer dizer que eu era só sua diversão!? Você apenas brincou comigo, me usou enquanto ELA não voltava!? É isso!?
O que ela tem que eu não tenho? E-eu não entendo! Ela já é meio velha, tudo caindo, te força a fazer mil coisas... Eu nunca fui assim, nunca te obriguei a fazer nada que não quisesse, sempre respeitei sua vontade e sou bem mais jovem que ela. É isso? É esse o problema? Você acha que eu não tenho maturidade suficiente pra você? Eu posso amadurecer...
Apesar de tudo, não vou me preocupar. Sei que você não vai ficar com ela por muito tempo. Não dou um mês pra você vir correndo de volta pra mim e eu estarei de braços abertos pra te receber...

- Rascunhos de uma Mente