31 de dez de 2007

Versos amargos

Então... é assim que acaba?
Um abraço e um olhar...
Nenhuma gota de lágrima?

Uma porta se fecha
Um sorriso se apaga
Uma luz pela fresta
Uma despedida amarga

Ó, serpente cruel,
Injetas teu veneno
E vais embora?
Me digeres por dentro
E me consolas por fora?

Ris da minha angústia?
Ris do meu lamento?
Bebes da minha dor
E brindas ao meu sofrimento?

Pois bem, por hoje hei de aceitar
O fracasso e a humilhação
Mas me conforta saber
Que será teu sangue de véu
O responsável por silenciar teu coração


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*Sim, o rascunhos ainda existe, não é uma coisa que se diga "minha noooossa, como existe esse blog", mas existe sim.

*Esse poema eu comecei a rascunhar a mais de um ano: a cada X ou Y meses eu parava, olhava pra ele e escrevia uns 2-3 versos e aí, com o tempo, ele foi adquirindo forma, porém eu sempre achava que estava faltando alguma coisa. Bem, ainda acho que falta, mas gostei de como ficou. =]

*Ah, e "não gosto de poesia" de A é B!

5 de nov de 2007

A Queda do Dragão

O dragão finalmente cai. Seu corpo é arrastado até a superfície da lagoa, como se as próprias águas de seu covil rejeitassem sua presença maligna. Instantes de silêncio cobrem o local, interrompidos apenas pela respiração ofegante dos heróis. De repente, um raio de luz parece atravessar a rocha sólida e chega ao lugar. Ele anuncia: o inverno chegou ao fim. De toda Faerûn, é ali - em meio a escuridão traiçoeira e entre fungos e musgos - que desabrocha a primeira flor da primavera. Suas pétalas brancas irradiam uma beleza incomparável, como se todos os deuses bondosos tivessem sorrido naquele exato momento e sussurrassem aos heróis: "Bom trabalho".

São com essas palavras que essa história será contada - em prosa e em verso - durante muitos anos. "A Queda do Dragão" alguns chamarão, outros de "A Libertação dos Picos do Trovão" e por muitos outros nomes ela será conhecida. Muitas versões surgirão, mas esse trecho o tempo pouco mudará. Até que séculos tenham se passado e a história vire lenda, a lenda vire mito e o mito se dissolva na memória dos mais velhos...


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*Esse texto narra uma cena importante da campanha que mestro em Forgotten Realms.

*Depois de meses espalhando terror e tirania entre as vilas de bárbaros que habitam os Picos do Trovão, o imperador dragão Mgnorthrond é finalmente derrotado por um grupo de heróis. Mas isso é apenas um trecho de uma história bem maior, que está escrita numa linguagem secreta em pergaminhos antigos...

28 de out de 2007

Nesse instante

São 19:54:15 do dia 25 de agosto de 2007. A temperatura é 23ºC, a umidade relativa do ar é de 94% e a pressão é de 1013hPa. Uma muriçoca acaba de se banquetear com o sangue do meu pé. Num restaurante requintado na praia, um homem apaixonado pede sua amada em casamento. Um garoto de 13 anos navega pela internet por páginas impróprias para sua idade. Um grupo de amigas se reencontra numa pizzaria. Um menino de 7 anos dorme profundamente e sonha com robôs gigantes derrotando monstros imaginários. E você, o que estará fazendo agora?


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* dá pra ver que era um texto que estava guardado e só decidi publicar agora;

* inspirado n' O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (aliás, "inspirado" é um eufemismo =D )

16 de out de 2007

Obra-Prima dos Valar

Ao som do dia
Ou sob o silêncio da madrugada
Tu invades meus pensamentos
E me faz suspirar
Tua lembrança me faz companhia
E me põe a pensar
Em minha mente, de repente
Brota uma indagação:

Que Vala há de ter criado você?


Sois tu uma jóia de Elbereth a adornar o céu noturno?
Quem me dera, então, tomar a embarcação de Tilion
e navegar além das nuvens...
Pode um homem mortal beijar uma estrela?


Sois tu uma brisa de primavera criada por Manwë?
Quem me dera, então, sentir teu sopro suave
Perfumado pelo aroma das flores desabrochadas


Sois tu um fruto de Yavanna
Semente das Árvores de Valinor?
Quem me dera, então, provar o doce orvalho dos teu lábios


Não sei qual deles te concebeu
Mas teu brilho, tua beleza, teu encanto, tua doçura...
De certo, é obra dos Valar

Pode um homem mortal almejar tamanho tesouro?

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* Pra Italo, O Silmarillion é o ápice da epicidade.

* Hoje em dia, quando questionado sobre o que é "ser épico", Italo apenas responde: "Algo é tão épico quanto se aproxime de O Silmarillion".

* Italo recomenda, para aqueles que gostam de fantasia medieval, que leiam esse livro. Ele avisa, contudo, que não é uma leitura tão simples.

* Italo tá achando divertido esse negócio de falar na terceira pessoa.

* Como Italo sabe que nem todos leram O Silmarillion, ele explica alguns nomes usados no poema:

-Elbereth: também conhecida como Varda, é a esposa de Manwë e a Senhora das Estrelas.

-Tilion: servo dos Valar que conduzia a embarcação da lua.

-Manwë: o rei dos Valar, senhor das nuvens e do ar, patrono das Águias.

-Yavanna: a Provedora de Frutos, é esposa de Aulë e senhora das plantas e dos animais, foi ela quem criou Telperion e Laurelin, As Árvores de Valinor, que trouxeram luz ao Reino Abençoado.

Mais informações: Valar, Valinor.

2 de out de 2007

A Ascensão do Tirano

Ouçam todos! Vocês agora têm um novo líder. Alguém a quem vocês devem temer mais do que a morte... Eu, Fzoul Chembryl, sumo sacerdote de Bane e Alto Lorde dos Zhentarim!

Oooooh

Manshoon? Manshoon era um fraco. Sob sua liderança, a Rede Negra perdeu influência, adquiriu mais inimigos, sofreu disputas internas... decaiu em poder. Ele era um covarde. Tinha medo de tomar decisões perigosas e fazer alianças vantajosas. Seu excesso de cautela nos custou muito e, por fim, custou sua própria vida. Eu o ofereci como sacrifício para os elfos negros, como sinal de meu interesse em forjar uma aliança.

Oooooh

Isso mesmo, os drows... Manshoon não confiava neles... Bah! Quem precisa de confiança para formar uma aliança? O medo os impedirá de nos trair. Porque com as bençãos de Bane e sob o meu comando, vocês podem ser mais terríveis que os elfos negros! Desfaçam-se do medo. Transformem-no em ódio. Porque apenas o ódio pode esmagar nossos opositores e trazer-nos a glória.

Não temam nossos inimigos. Não temam nossos aliados. A partir de hoje, vocês devem temer apenas a mim! Porque eu posso fazer vocês sofrerem muito mais do que qualquer outro. Posso provocar dor e desespero além de suas imaginações.

Sob o meu comando, deixaremos de ser apenas "a Rede Negra", seremos um Império: o mais Poderoso dos Reinos, nosso exército será o maior exército a marchar sobre Faerûn.

A noite está chegando, meus servos. Afiem suas espadas e fermentem o seu ódio. Em breve, os campos verdes do oeste se cobrirão de vermelho com o sangue de nossos inimigos.



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- Discurso de Fzoul Chembryl aos seus súditos na Fortaleza Negra.

Yataaa!

Pois é, amigos e amigas, né que essa budega tá durando? São dois anos de Rascunhos... o tempo não voa, entra no Hiperespaço! Biiicho, eu gostaria de dispor de mais tempo para falar do quão legal tem sido escrever no Rascunhos, mas como eu não tenho eu só digo o seguinte:

É legal pra caralho escrever nesse blog, curti muito esses dois anos de Rascunhos e não tenho intenção nenhuma de parar. Pode ser que essa fase passe e eu deixe de escrever; se isso acontecer, com certeza vou sentir saudades. Mas saudade de cu é rola! Eu quero continuar com essa porra e o resto que se foda! (não acredito que eu rimei porra com fôda? O.O)

Bom, passei um bom tempo pensando num post para comemorar esses dois anos e não pude achar um melhor do que "A Ascensão do Tirano" - que já faz um tempão que eu escrevi e só não tinha publicado porque ninguém ia entender o contexto =].

Até mais, pessoas, voltem sempre. Ah, e não reparem a bagunça. =D

_\m/

30 de set de 2007

Rede de Intrigas - Parte Dois

O brilho brando de Istrahlia contrastava ferozmente com a pele negra dos oito drows que se encontravam na caverna. Os elfos negros estavam sentados em confortáveis assentos ao redor de uma grande mesa de pedra. Eles discutiam assuntos menores e lançavam proteções mágicas no local enquanto esperavam o batedor voltar.

Kelnozz, um espião talentoso e espadachim mortífero, supostamente estava verificando se alguém poderia ter seguido os vhaeraunitas até o local do conclave. Os nove eram os maiores servos do deus Vhaeraun, uma das poucas divindades drow que ousava se opôr à posição dominante de Lolth; sem dúvida, as sacerdotisas da Rainha Aranha adorariam descobrir onde eles eles estavam reunidas e assassiná-los em nome de sua deusa.

Não demorou muito tempo até Kelnozz aparecer à entrada da caverna e anunciar:

- O humano está aqui.

Os outros drows se entreolharam confusos.

- Mande-o entrar, Kelnozz. - ordenou Malaggar, o mais velho e respeitado dos nove.

Poucos instantes depois, os conselheiros ouviram passos de botas pesadas e algo sendo arrastado pela rocha fria. Não demorou a surgir uma figura na gruta arrastando algo grande e pesado pelo chão. O homem era alto e exibia grande vigor físico, possuía um bigode espesso e longos cabelos ruivos. Ele vestia uma armadura decorada com temas de morte e carregava uma maça pesada presa ao cinto. Seus olhos brilhavam com astúcia.

- Mas quem é... - começou a questionar um dos elfos negros. O recém-chegado, no entanto, não permitiu que o drow terminasse sua pergunta:

- Fzoul Chembryl. Sumo sacerdote de Bane e Alto Lorde dos Zhentarim. - falou o recém-chegado, demonstrando claro domínio do idioma dos drows.

Os vhaeraunitas ficaram em silêncio por alguns instantes, surpresos com a firmeza com que o humano se apresentou diante deles.

- Líder dos Zhentarim? - questionou o mago Vyltar em um tom levemente irônico - Achei que esse título pertencesse a seu aliado, o mago Manshoon.

Fzoul, então, ergueu o prisioneiro puxando-o pelos cabelos negros. O homem - que aparentava cerca de 30 anos - estava num estado miserável. Seu outrora elegante robe negro estava rasgado em vários pontos e manchado de sangue seco. Um de seus olhos estava completamente fechado devido a hematomas. Filetes de sangue ainda escorriam de seu nariz e de sua boca. Todo o seu corpo parecia ter sido vítima de inúmeras pancadas. Seus braços estavam presos às costas por correntes.

- Manshoon? - falou o sacerdote de Bane. Todo seu. - concluiu Fzoul jogando o prisioneiro, que caiu de cara no chão próximo, ao mago drow.

O homem estremeceu ao cair e soltou um guincho esquisito de dor. Com enorme esforço, pôs-se de joelhos e tossiu mais sangue. Vyltar observou por alguns segundos o rosto sujo e desfigurado do miserável aos seus pés e então perguntou desconfiado:

- Ora, todos sabem que Manshoon é um mago poderoso. Se este homem diante de mim era mesmo o líder dos Zhentarim, por que ele não tentou usar um de seus feitiços para fugir de você, clérigo de Bane? Afinal, você veio trazendo ele por um longo caminho até chegar a Istrahlia e ele nem mesmo está amordaçado.

Fzoul sorriu malevolamente ao ouvir a pergunta e então respondeu calmamente:

- Não era necessário. Ele não pode falar.

E dizendo essas palavras, o sacerdote de Bane retirou um pequeno objeto de um saco de couro sujo que estava preso ao seu cinto. Ergueu a mão para que todos pudessem ver o que parecia ser um pequeno músculo ensaguentado.

Incrédulo, o mago drow olhou de Fzoul ao prisioneiro e, então, abriu a boca do miserável aos seus pés e constatou que ele não tinha mais língua.

O sacerdote drow Mallagar, que esteve observando a cena com um sorriso nos lábios, finalmente levantou de sua poltrona esculpida na pedra e disse:

- Já basta, Ryltar! Eu não teria convidado Fzoul para o nosso conclave se ele não fosse quem ele clama ser. Tenho plena confiança nas habilidades de meus informantes na superfície.

- Estou ansioso para ouvir o que tem a me falar, drow. - disse Fzoul.

Nós, vhaeraunitas, há muito tempo temos interesse em abandonar o subterrâneo e conquistar nosso próprios territórios na superfície - deixando as sacerdotisas vadias de Lolth se destruírem em suas guerras estúpidas. Existe uma região em especial na superfície que poderíamos chamar de lar mais do que qualquer caverna de Underdark, pois de lá veio o nosso povo. Lá, sobre as cinzas dos reinos élficos de outrora, onde hoje cresce a "Floresta da Fronteira" - como vocês a chamam - lá, pretendemos contruir nosso reino.

Fzoul sorriu levemente ao ouvir o sacerdote drow revelar a região que pretendia conquistar.

Sabemos, contudo, que a região está sob os olhos cobiçosos dos Zhentarim. Como nunca foi nosso interesse lutar contra a Fortaleza Negra, tentei convencer Manshoon de que tínhamos mais a ganhar como aliados do que como inimigos. Mas esse tolo e aquele discípulo dele, Sememon, recusaram.

- E agora que o comando da Rede Negra mudou de mãos, você resolveu tentar novamente uma aliança com os Zhentarim - concluiu Fzoul.

- Exatamente - respondeu Mallagar -. E pelo gentil símbolo de boa vontade que você nos trouxe - falou o sacerdote apontando pra Manshoon -... acredito que esteja mais suscetível ao diálogo do que o seu antecessor.

- Não tenha dúvida, amigo - respondeu o sacerdote de Bane -. Posso em poucos dias mobilizar um grande exército a partir da Fortaleza Negra e ajudá-los a conquistar a região da Floresta da Fronteira. Mas, o que vocês me ofereceriam em troca?

Mallagar encarou Fzoul por alguns segundos - um leve sorriso se esboçava em seus lábios - e então disse serenamente:

- Cormyr.

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*Como fica claro pelo título, é a continuação de "Rede de Intrigas - Parte um" (veja aqui), post que escrevi a quase um ano e nunca tinha conseguido fazer a continuação. Não acho que a parte dois tenha ficado muito legal, mas eu precisava escrevê-la para que se possa entender a "parte 3" - que aliás já está escrita a muito tempo. Juntos, esses três textos explicam parte do plot de uma campanha de D&D que eu comecei a mestrar, mas não deu certo. =\

*Quanto ao layout: estamos temporariamente voltando às origens. =]

22 de set de 2007

Burger Rings

Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono


- Mais alguma coisa? - perguntou o paciente garçom.

- A gente também quer! - gritaram os hobbits.

- Ah, tudo bem. Traga quatro para os hobbits. - disse o mago.

- Quatro não! Quatro não dá nem pra entrada. Pede uns vinte aê, tio Gandalf. - pediram os pequenos.

- Coloque dez para os hobbits - falou o mago perdendo a paciência.

- Ah, então vamos conferir: são três para os elfos, sete para os anões, nove para os homens, dez para os hobbits e um para o Senhor do Escuro, não é isso?

- Por que eu só tenho UM!? - perguntou Sauron levantando-se de seu escuro trono e socando a mesa. - Eu EXIJO mais!

Todos ficaram apreensivos na mesa. Então, Galadriel levantou-se e disse:

- Escute aqui, mocinho. Se você continuar com esse comportamento, não sai mais de casa! Vai ficar duas Eras de castigo, trancado em Barad-Dûr.

- Tá bom. Tá bom.

- Bote dois para o Sauron - falou o mago impaciente.

- Eeeeba. - comemorou o Senhor do Escuro.

- Tá, são dois para o Senhor do Escuro. E você, mago, vai querer quantos? - perguntou o garçom.

- Ah, nenhum. Estou de dieta. Meu colesterol está lá nas alturas, sabe? Acho que vou pedir para as Águias trazerem ele de volta aqui pra baixo. Hehehe.

Um silêncio pesado se abateu sobre a mesa.

- ...

- Cof! De que sabores vocês vão querer?

- De frango para os elfos. De queijo para os hobbits. De bacon para os anões. E de carne para os humanos. - disse Gandalf.

- E pra mim, de presunto de troll! - acrescentou o Senhor de Mordor.

- Tá. Tudo anotado. O pedido de vocês sai em 10 minutos.

Quando os Anéis chegaram, Elrond perguntou:

- Saruman não quis vir, Gandalf?

- Não, ele disse que estava muito ocupado e não ia poder aparecer. Desligou o palantír na minha cara inclusive! - respondeu Gandalf.

- Aquele sujeito é muito desagravável. Eu não vou com a cara dele. - falou Galadriel.

- Ah, eu acho ele legal. - comentou Sauron.

- É, mas a sua opinião não conta muito, Sauron. - disse Celeborn.

- Então a opinião de um elfo por acaso conta mais? - retorquiu um dos reis anões.

E com isso começou uma grande discussão. Comida foi jogada de uma lado para outro. Assim como talheres e pratos. Um dos Anéis caiu do lado de fora do restaurante. Um moleque de rua que sempre rondava o estabelecimento apanhou o Anel na calçada.

- Hmmm... apetitossso. Golum! Golum!

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O Burger Rings é um dos mais famosos restaurantes de comida rápida da Terra-Média, sua especialidade é uma massa circular recheada de fabricação própria. De Mordor aos Portos Cinzentos, os "Anéis" são muito apreciados. O restaurante também entrega em qualquer lugar da Terra-Média graças ao serviço de entrega Águias Express.

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Desse dia em diante, Gandalf, o cinzento, desistiu de comemorar seus aniversários com as amigos. Preferindo ficar sozinho, comendo um Anel de queijo e fumando o seu cachimbo...

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*Pra quem não sabe, ontem completou-se 70 anos do lançamento do livro "O Hobbit" de J.R.R. Tolkien. E já que é o aniversário do primogênito de Tolkien, não tinha um tema melhor para o post de hoje.

*Feliz dia do Hobbit para todos!

*Não deixem que levem os hobbits para Isengard-gard-gard. xDDD

18 de set de 2007

Mal-entendido

E lá estavam os amigos sentados à mesa. Muitas e muitas sessões os levaram àquela ocasião. Seus personagens finalmente iriam enfrentar o cruel e terrível dragão. Não seria fácil derrotá-lo, eles precisavam pensar como realizariam tamanho feito.

Jogador 1: E aí, como a gente vai fazer pra matar ele?

Jogador 2: Por mim, eu pego um machado e enfio no buxo dele com toda porra!

Jogador 1: Eu prefiro esperar ele dormir, daí vou até ele em silêncio e corto a garganta dele!

Jogador 2: E você, "Jogador 3", o que sugere?

O Jogador 3 estava parado, pensativo, com o olhar distante... girava um dado entre os dedos.

- Eu posso invocar... demônios. - respondeu finalmente o Jogador 3.

Mas é claro que a velhinha que passou naquele instante com o seu netinho de 6 anos sabia que se tratava de um jogo saudável, educativo, que incentivava a imaginação e nada mais. É óbvio que em nenhum momento ela veio a pensar que eles eram loucos ou que cultuavam o diabo. Claro que não! Que motivos ela teria para isso?


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*qualquer semelhança com a realidade é mero plágio.

*infelizmente as histórias de Cristoph vão ficar de molho por algum tempo, não tou tendo tempo para escrevê-las. sorry, guys.

*como o layout do blog tava todo cagado, então mudei temporariamente pra esse novo aqui. agradecimentos ao leitor Thiago, que entrou em contato conosco, avisando sobre o problema. valeu, Thiago!

2 de set de 2007

O Tesouro de Throm-Rhel - Parte Um

Era fim de tarde. O sol buscava o seu abrigo nas entranhas da terra no ocidente distante. Na direção oposta, cavalgavam três companheiros, o semblante escuro deles contrastava com o tom alaranjado do pôr-do-sol.

- Diga-me, Snick: De onde vem esse seu nome Dedos-Leves? - Cristoph perguntou de repente, rompendo o longo silêncio que havia entre os três viajantes.

A pergunta pegou Snick despreparado. Tamanha foi sua surpresa que instintivamente ele freou sua montaria.

- Er... eu venho de uma renomada família de alfaiates. Muito talentosos por sinal. Meus antepassados já fizeram roupas até para a Família Real. Foi o tio do meu tio que fez a mortalha do falecido Rei Theodoric Décimo Sexto - que os deuses o tenham - e a minha avó costurou as primeiras meias que o nosso digníssimo rei calçou quando veio ao mundo. Pode perguntar a ele: Robber e Stelphie Dedos-Leves, talvez ele se lembre.

- Nossa, - exclamou Cristoph admirado - sua família parece mesmo talentosa no que faz. Por que você não seguiu o legado?

- Porque... digamos que eu não tenha herdado esse talento. - justificou Snick.

- Rapazes, odeio interromper a conversa de vocês, mas a noite está nos alcançando e precisamos arranjar um lugar para acampar. - alertou Eeria.

- Tem razão, milady - concordou Cristoph - as estradas não são seguras à noite.

Demorou pouco para eles arranjarem um lugar para descansar. Próximo a uma pequena colina não muito longe da estrada. Eles arrancaram galhos das árvores retorcidas que cresciam na região e fizeram uma fogueira. Amarraram os cavalos e depois dormiram em seus sacos de dormir, exceto o cavaleiro. Ele se dispôs a permanecer acordado e manter-se vigilante, os companheiros aceitaram de bom grado.

Cristoph, então, pois-se a remoer em pensamentos. Ele tinha uma missão importante a cumprir e não lhe agradava o fato de estar se desviando de seu curso. No entanto, a menção da espada lendária que repousava no tesouro de Throm-Rhel não podia ser ignorada. O cavaleiro não acreditava em coincidências: os deuses haviam traçado esse caminho para ele, era seu destino empunhar a lâmina sagrada.

De repente, um barulho veio de um arbusto próximo, despertando Cristoph de seus pensamentos. Instintivamente pegou sua espada e esgueirou-se cautelosamente em direção ao local. O que poderia ser? Um lobo? Um bandido? Um monstro? Um...

- ...Eeria!? - exclamou Cristoph surpreso ao vê-la sair de trás da vegetação.

- Claro que sou eu! Você tava me espionando?

- N-não, milady, claro que não. Não imaginava que fosse você. Mas o que você está fazendo aí?

- Ora, será que uma dama não tem direito a um pouco de privacidade? - retorquiu a mulher aborrecida.

Cristoph, envergonhado, esperou alguns minutos antes de voltar ao acampamento. Ao chegar, encontrou Eeria deitada no chão ao lado da fogueira. Estava de olhos abertos olhando para o céu.

- O que estás a observar, milady? - perguntou Cristoph.

- As estrelas. Venha, deixe-me mostrá-las. - disse Eeria fazendo o cavaleiro deitar-se ao seu lado. - Essa é a constelação do grifo, e essa é a da espada flamejante e essa...

E assim a feiticeira foi mostrando ao cavaleiro várias constelações. E cada vez que ela apontava para as estrelas, Cristoph conseguia ver a gravura correspondente a cada constelação quase como se os dedos de Eeria fossem pincéis mágico a pintar a grande tela que era o céu da noite.

- É mesmo uma bela visão, milady. Não é à toa que você gosta de observá-las. - comentou o cavaleiro.

- Não vejo as estrelas apenas por sua beleza, Cristoph. Os sábios dizem que o céu é como um enorme tomo onde os próprios deuses escrevem conhecimentos de imenso poder. Existem muitos tipos de estrelas e elas são um espécie de alfabeto que só os deuses entendem. No céu, estão escritos grandes segredos do passado e do futuro. Aquele que um dia conseguir decifrar o significado de cada estrela alcançará uma sabedoria inimaginável para um...

Eeria, então, percebeu que o cavaleiro tinha adormecido. Um filete de baba escorria de sua boca aberta.

- Que belo guarda-costas fomos arranjar! - exclamou Eeria pondo-se de pé.

A feiticeira, de repente, parou e ponderou sobre a ambiguidade de suas palavras. Passou o resto da noite de vigília e vez por outra se pegava observando os cabelos loiros do cavaleiro brilhando à luz do fogo.

E a noite se passou sem que nenhum mal se abatesse sobre eles, ou pelo menos assim eles achavam...



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* a continuação da história de Cristoph, o Cavaleiro sem-nada-na-cabeça

* ainda não é nesse post que tem sangue e porrada =\

* eu gostaria de estar postando com mais frequência, mas não tá dando não, peço paciência.

* detalhe: Eeria acordou e saiu do acampamento e Cristoph nem percebeu! =P

30 de jul de 2007

Estadia em Faruel - Parte Dois

- Eu... suponho que você esteja certo. Não foi minha intenção ofendê-lo, senhor Snick. Aceite minhas desculpas.

- Desculpas aceitas.

- Eu sou Cristoph, sou um cavaleiro e estou em uma importante missão à serviço de Vossa Majestade: devo navegar pelo Rio dos Mortos e chegar ao Vale das Almas Perdidas para confrontar...

- Hmmm... um cavaleiro obstinado! Exatamente o tipo de idio... cof! ...de herói que estávamos precisando.

- O que você disse?

- Estava apenas pensando alto. Venha, quero lhe apresentar alguém.

O jovem rapaz guiou Cristoph até uma pequena mesa num canto da taverna. Então, em um tom formal, disse:

- Conheça minha parceira, Eeria.

A mulher sentada na mesa tinha um olhar distante e um jeito distraído. Trajava vestes longas que pareciam de boa qualidade, mas em alguns pontos o tecido parecia descosturado ou mesmo carbonizado. Seus longos cabelos cor de palha estavam impecavelmente dispostos como os ramos de uma samambaia após um intenso vendaval.

Cristoph - no entanto - não reparara em nada disso, havia alguma coisa intrigante naquela mulher, algo que prendia-lhe a atenção, mas ele não sabia o que era. Ela tinha alguma coisa sutil que evocava respeito. Ele sentiu como se parte da personalidade dela se projetasse para fora de seu corpo formando um par de orbes mágicas parcialmente ocultas por véus de couro e algodão.

- Opa, aqui em cima! - Snick chamou a atenção de Cristoph, estalando os dedos na altura do rosto da companheira.

- Snick? Quem... é seu amigo? - perguntou a mulher, finalmente percebendo o mundo à sua volta.

- Cristoph, Eeria. Eeria, Cristoph. - apresentou Snick informalmente sentando-se numa cadeira.

- É um prazer conhecê-la, milady. - falou cordialmente o cavaleiro dando um leve beijo na mão da mulher.

- Cuidado, cavaleiro - provocou Snick -, Eeria é uma feiticeira de considerável poder, você não vai querer ofendê-la, vai?

- Eu... não quis ser desrespeituoso. Vocês devem ser...

- ... Parceiros profissionais! - respondeu Snick - Somos caçadores de tesouros.

Eeria confirmou balançando a cabeça.

- Me parece uma profissão perigosa.

- Sem dúvida. - confirmou Snick - Mas, como dizia meu sábio tio: "Grandes riscos trazem grandes recompensas". Nosso próximo alvo é uma ruína não muito longe de Faruel. Eeria, você pode contar com mais detalhes.

- Antes de Lândia ter se tornado um reino unificado - começou a feiticeira -, esta região era dominada por vários clãs de bárbaros. Conta-se que um desses clãs era comandado por um cruel e terrível xamã: Throm-Rhel. Através de seu imenso poder mágico, ele podia lançar pragas nas plantações, convocar grandes tempestades e invocar criaturas monstruosas para lutar ao seu lado. Ele provocou guerras contras as outras tribos, destruiu pequenas cidades que começavam a se formar na região, foi responsável pela morte de milhares de homens e mulheres. Eventualmente, seus inimigos puseram as diferenças de lado e se aliaram contra o xamã. Throm-Rhel e seus homens não puderam combater todos eles.

- Pois é - interrompeu Snick -, o xamã maligno morreu. Mas, durante as décadas de conquistas, ele acumulou muitas riquezas - inclusive objetos mágicos. As lendas dizem que ele teria construído uma cripta secreta onde teria escondido todo o seu tesouro. E acontece, meu amigo, que o Dedos-Leves aqui teve a oportunidade de pôr as mãos num mapa que mostra exatamente a localização da cripta.

- Bem, essa é uma história fascinante, sem dúvida. Mas, por que vocês estão me contando tudo isso? - perguntou Cristoph ingênuo.

Snick respirou fundo e falou:

- Essa ruína sem dúvida é cheia de armadilhas, proteções mágicas e guardiões. Bom, eu... tinha um tio que era caçador, sabe? E ele... me ensinou como evitar armadilhas, enfim, armadilhas não serão problema! Eeria é uma feiticeira competente, saberá como lidar com as proteções mágicas (eu espero). Quanto aos guardiões... seria necessário alguém habilidoso com uma espada, um sujeito forte e corajoso. Quem sabe um cavaleiro em uma armadura brilhante?

- Ah, entendi aonde você quer chegar. Vocês vão atrás do tal tesouro, mas não podem superar todos os perigos sozinhos. E precisam de alguém para lidar com os guardiões. Alguém com uma armadura brilhante... como a minha. Espere! Vocês estão sugerindo que eu vá com vocês!?

- Exato, meu amigo! Você pega as coisas rápido, hein? E, antes que pergunte, eu lhe digo que vamos repartir o tesouro em frações minuciosamente justas.

- Receio que eu não possa acompanhá-los. - falou o cavaleiro levantando-se da mesa - Eu não almejo riquezas. Tenho uma missão importante e nada pode me desviar do meu caminho. Boa sorte em suas aventuras, foi um prazer conhecê-los. - despediu-se Cristoph virando-se de costas e se afastando da mesa.

- Eeria, eu mencionei que no tesouro de Throm-Rhel está incluída uma espada sagrada? Uma arma lendária que dizem ter sido forjada pelos deuses no início dos tempos e que só um homem nobre e justo é capaz de empunhá-la?

Cristoph estancou o passo. Demorou alguns instantes parado e então virou-se dizendo:

- Eu... estive pensando, talvez...

- Prepare suas coisas, amigo. Partiremos amanhã ao nascer do sol.


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* Allana, valeu pelo comentário. Eu concordo com você, a primeira parte realmente não parece chegar a lugar algum. Na verdade, eu não tinha planejado fazer em duas partes, mas aí vi que ficaria um texto imenso, achei que ficaria inviável colocá-lo de uma só vez. Eu pensei e pensei em um modo de escrever a primeira parte de modo a concluir alguma idéia, mas não consegui. Foi falta de perícia mesmo.

* Quanto ao concurso, eu não escrevi o texto "pro membrana", escrevi pro rascunhos mesmo. Não nego que a vontade de participar do concurso - e ganhar seus maravilhosos prêmios xD - me motivou, mas meu objetivo principal era desenvolver o personagem - mais ou menos acatando um conselho que dudu me deu long time ago -, e não vencer o concurso. ^^

* Brigado mesmo pelo "toque". Conselhos como esse vão me ajudar a um dia escrever meus livros e ganhar milhões, milhões. Mwahuahahahaha.

* E mais uma vez, para o desnaturado do meu irmão: Parabeeens, mizera!!!

29 de jul de 2007

Estadia em Faruel - Parte Um

Cristoph levantou-se cedo naquela manhã. Chegara a Faruel na noite anterior após uma viagem longa e difícil, mas sua jornada ainda não tivera um fim. Ele precisava descansar, por isso alugara um quarto naquela estalagem. Uma noite de sono o faria recobrar as energias necessárias para continuar o seu caminho.

Ele já era acostumado a acordar muito cedo, a cozinheira da estalagem sem dúvida estaria dormindo ainda, o cavaleiro precisaria aguardar para fazer seu dejejum. Ele soube logo como aproveitar esse tempo "ocioso". Abriu o armário do quarto e retirou sua armadura. Muito mais do que pesadas peças de aço, ela foi sua única companheira durante muitos dias. Quanta coisa haviam enfrentado juntos: chuva, vento, poeira, sol, lama. Ela já não parecia tão imponente quanto antes, mas o cavaleiro daria um jeito - a qualquer custo.

Como todos ainda estavam dormindo, ele sentiu-se mal por não ter pedido permissão à estalajadeira. Mas não restava-lhe outra escolha, um cavaleiro não podia andar com uma armadura naquele estado. Tomando emprestado um balde, um esfregão, algumas vassouras e um espanador, ele dedicou-se ao árduo labor.

Utilizou todas as forças de que dispunha para remover as nefastas manchas que corrompiam a face metálica de sua companheira. De tempos em tempos, sua testa cobria-se de suor e o cavaleiro a enxugava com a coberta da cama. E quando suas forças ameaçaram abandonar-lhe, ele suplicou aos deuses que o libertassem da fadiga para que pudesse terminar sua nobre tarefa. Os deuses o atenderam. O homem não descansou até a armadura refletir intensamente o brilho do sol nascente.

O cavaleiro tomou cada peça quase com um afago e vestiu-se cerimonialmente. Ela resplandecia mais bela do que nunca. Dirigiu-se à sacada do quarto e contemplou a pequena cidade que acordava com o sol da manhã. Os pássaros piavam e voavam felizes lá fora, pareciam reconhecer que um guerreiro abençoado pelos deuses estava diante deles. Possivelmente emocionada diante dessa figura exaltada, uma ave que voava próxima teve seu intestino afrouxado e eliminou uma quantidade generosa de escremento. O projétil caiu rapidamente atingindo um ombro de armadura. Foram mais duas horas de labor intenso...

Após o dejejum, Cristoph rumou à taverna da cidade. Buscava informações sobre a próxima etapa de sua jornada e este seria o lugar mais adequado para obtê-las. Havia muitas pessoas na rua, Faruel já estava acordada àquela altura. Desconhecendo o local, o cavaleiro pedira direções a um garoto apressado e mal vestido que acabara de esbarrar nele. O humilde rapaz generosamente apontou a direção da taverna. Seguindo suas instruções, o nobre cavaleiro logo chegou a um largo prédio com uma entrada de porta dupla. O lugar exalava um inegável cheiro de cerveja.

Antes de entrar, Cristoph presenciou uma cena impressionante. As portas do lugar se abriram violentamente e um homem foi arremessado para fora, percorrendo uma longa distância no ar até cair de cara no chão da rua. O responsável pelo arremesso foi um indivíduo truculento que vestia um avental muito sujo. Ele esfregou as mãos - num inconfundível gesto de trabalho recém terminado - e voltou para dentro.

Havia pouca gente na taverna. Elas bebiam e conversavam animadamente. Mas quando o estranho homem entrou, quase todas as mesas silenciaram. As pessoas, então, passaram a lançar olhares inquisitivos para o indivíduo esquisito que usava uma armadura de placas excessivamente polida. Um pequeno homem - em particular - observava o recém-chegado com bastante interesse.

Confiante de que sua aparência causara uma boa impressão às pessoas do local, Cristoph foi direto ao balcão. Dirigiu-se ao enorme homem do outro lado em voz alta e em tom exaltado:

- Nobre taverneiro, em nome de Vossa Majestade, o Nobilíssimo Rei Theodoric Décimo Sétimo, solicito que me forneça uma fração mínima de vosso vasto conhecimento para que possa me guiar em minha jor...

Cristoph demorou para notar que o homem lançava um olhar de poucos amigos para ele. Na verdade, um terrível dragão prestes a cuspir jatos de fogo pareceria mais amistoso do que aquele taverneiro. Receoso de que pudesse ofender o nobre homem, o cavaleiro ajustou sua voz a um tom mais ameno - quase infantil:

- Não, assim... er... se não for incomodar, sabe, o senhor não poderia me ajudar...? Não precisa ser agooora, tou vendo que a taverna tá muito cheia... É porque eu sou um cavaleiro e estou numa missão realmente importante, não que ser taverneiro também não seja importante, é só que...

- Você vai beber alguma coisa, ou não vai? - perguntou o imenso homem lançando um olhar penetrante.

- Beber? A-ah, sim, claro. Vou beber. Eu quero uma... uma... como se chama mesmo? Uma cê... veja!

Em poucos segundos, o taverneiro depositou violentamente uma caneca espumante sobre o balcão - o que fez a superfície de madeira oscilar por alguns instantes.

- São duas pratas.

- Ah, sim, claro... Onde foi que eu botei meu saco de moedas...? Tenho certeza de que prendi ao meu cinto antes de sair da estalagem... Será que eu fui rou...

O impaciente taverneiro já estava cerrando os punhos quando uma pequena mão apareceu entre os dois, deixando três moedas em cima do balcão.

- Perdoe o meu amigo, ele é um pouco esquecido. - começou a falar um homem jovem de cabelos encaracolados - Eu pago a bebida dele: duas moedas pela cerveja e mais uma pelo incômodo. - concluiu o rapaz com um sorriso jovial.

- Ah, desculpe, mas eu não posso aceitar. Eu nem conheço...

- Eu sou Snick Dedos-Leves - falou o rapaz fazendo uma reverência. - E o senhor?

- Eu... não sei se posso confiar em você.

O rapaz respondeu com firmeza:

- Ouça, amigo: se você não pode confiar em quem paga a sua bebida, então não pode confiar em ninguém.


[Continua]


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*Esse conto é o segundo sobre Cristoph, o cavaleiro . Quero dedicá-lo ao mizera do meu irmão que está aniversariando nesta segunda-feira.
*Parabéns, mizera!
*Confiram a primeira parte da história aqui.
*Bom, agora Cristoph já é um personagem oficial do Rascunhos igualando a marca de Hansi e Elisha, com dois posts cada. xD. Espero que eu consiga estar sempre escrevendo sobre cada um deles.

24 de jul de 2007

Cut Scene

- Hello there!
- General Keno...Cof! Cof! Cof!... Gen.. Coorf! Coorf! Ken... Corrrg! Cooorf! Brr-brr... bleeeerrrrrrggghhh(he vomits)!!!
- ...tsc, tsc, tsc, so uncivilized!


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*Ah, ok, precisa ser muito nerd pra pegar essa.
*Ficaria a thousand times better se fosse uma tirinha. But I just can´t draw. =\

18 de jul de 2007

Fugindo do Inferno

Os passos ecoavam ruidosamente por longos metros. Ela sabia que o barulho poderia atrair dezenas de ameaças naqueles túneis, mas nenhum perigo poderia ser maior do que aquele do qual estava fugindo. Fazia horas que corria sem parar. A fadiga ameaçara roubar-lhe a consciência mais de uma vez, mas ela resistira até aquele instante.

As passadas pararam abruptamente. A fugitiva encontrara uma pequena gruta, havia alguma água lá dentro. Bebeu um pouco, mas ela logo foi tomada pelo cansaço. Engolido pela escuridão, seu corpo caiu sem consciência na rocha fria, restando apenas um silêncio mortal. Não verificou se a água era envenenada ou se o lugar era seguro. Mas não faria diferença: não há lugar seguro em Underdark.

Sob a superfície, existe uma imensa rede túneis que se estende indefinidamente. Preenchida por sombras mais escuras que a noite. Neste lugar - onde a escuridão é quase tangível -, o perigo espreita em cada canto. Isto é Underdark. Para as criaturas da superfície, este lugar pode ser o inferno sob a terra. As criaturas subterrâneas o chamam apenas de... lar.

Milhares de escravos vivem na cidade drow de Menzoberranzan . Os elfos negros da cidade costumam realizar incursões à superfície onde saqueam e matam os humanos que encontram, mas também trazem alguns prisioneiros para serem vendidos como escravos. Foi assim que a camponesa Eleen tornou-se propriedade da Casa Kenafin.

Maltratada e molestada pelo filho mais velho da Casa, ela viveu os anos mais amargos de sua vida na cidade subterrânea dos elfos negros, sua dor era suavizada apenas pelas orações que prestava ao Senhor da Manhã. Pouco mais de um ano após sua captura, ela deu a luz à meio-drow Elisha. A menina tornou-se tudo para a pobre mulher - que dedicou os próximos anos tentando fazer a vida de sua filha menos miserável do que a sua própria.

Os meio-drows não têm qualquer aceitação na sociedade dos elfos negros, são considerados inferiores assim como qualquer não-drow. Uma filha de escrava, então, não seria nada mais do que uma escrava também. Desde pequena, Elisha foi maltratada e castigada, mas demonstrou-se mais forte e resistente que uma criança normal, por isso foi mandada para trabalhos braçais ainda na infância.

Foi um milagre a garota ter sobrevivido por tantos anos - "Crianças não dão bons escravos, mas são excelentes sacrifícios" - os elfos negros costumam dizer. O amor incondicional de sua mãe foi a principal razão para ela ter se mantido viva. Mas outro motivo foi o interesse que o filho mais novo da Casa Kenafin tinha pela menina. Ele não se importava nem um pouco com ela, ao contrário, era um garoto cruel que se deliciava em maltratar a "cadela mestiça". Essa fixação fez o menino intervir mais de uma vez para que ela não fosse descartada.

Quando sua mãe morreu, Elisha ainda não era adulta, mas também não era mais uma criança. Ela perdera a única coisa boa de sua vida, a única coisa boa naquele lugar amaldiçoado. Já havia decidido: fugiria de qualquer maneira. A oportunidade veio durante uma batalha entre Casas.

São muito comuns os conflitos entre Casas Nobres de Menzoberranzan. Elas conspiram e destroem umas às outras para conseguir o favor de Lolth - a impiedosa deusa Aranha. Embora Casas rivais possam passar anos na expectativa de um embate, as batalhas propriamente ditas costumam durar pouco. Quando o palácio da Casa Kenafin foi atacado pela Casa Vandree, Elisha viu sua chance de fuga.

Um feitiço lançado por magos da Casa Vandree resultou num explosão mágica que destruiu parte da estrutura onde os escravos eram mantidos. Quando viu o imenso buraco na parede, a meio-drow não pensou duas vezes: fugiu o mais rápido que pôde - aproveitando-se do caos causado pela batalha. Sua herança drow ajudou a disfarçar sua condição de escrava fugitiva - permitindo-lhe chegar até os portões da cidade. Mas ela percebeu que estava sendo seguida - e então, correu como nunca havia corrido em toda sua vida...


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*E eis a origem de Elisha. Eu, particularmente, não apreciei muito esse texto. Ele parece mais um relato do que um texto literário. Está pouco épico para o meu gosto. Mas, eu precisava documentar a história dela. E, bem, ainda há muito mais a ser escrito.

*Passei bem uns 20 dias só tentando bolar um título legal para esse texto. Na falta de algo melhor, vai esse mesmo. Thiago, sem piadas infames sobre o título, ok?

*Mais sobre Lolth e os drows vocês podem ler aqui.

*Mais sobre Elisha vocês podem ler aqui.

2 de jul de 2007

O Resto é Rasgado

Terminou o período, vieram as férias, passaram-se as férias, voltaram as aulas. Um conhecido vai e vem. Poderia ter sido apenas mais um final de período, mas não foi. Foi a superação de um grande obstáculo, mais do que um desafio, uma verdadeira fobia. Fui, vi e venci.

Sabe, pra mim, uma das melhores alegrias de se fazer um curso superior é pintar as cadeiras pagas quando se termina um período. Essa daqui tem um sabor especial que eu precisava compartilhar.





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Nunca passei tanto tempo sem postar no Rascunhos. Existe um bom motivo para isso que será explicado no futuro próximo. Aviso de antemão que existem textos decentes sendo forjados neste momento, oquei?




19 de mai de 2007

Finaaaarrll de Período

Meeir mão, HOJE, eu estudei. Passei a manhã toda e boa parte da tarde estudando física. Agora à noite, ainda fui terminar uns relatórios de físico-química. Minha mente e meu corpo estão cansados, mas fica aquela sensação de dever cumprido, que - aliás - é muito gratificante. A gente fez o que o professor mandou e a gente esperamos conseguir uma boa pontuação para passar pra próxima fase. Este foi um pequeno passo para a ciência, mas um grande passo para as minhas férias.


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Caaara, se eu passar em física por média, eu vou ficar muito contente. Preciso fazer algo esdrúxulo, caso isso aconteça. Estou aceitando sugestões.


6 de mai de 2007

Por que as pessoas amam?



"Sem as piadas de duplo sentido, a vida teria metade da graça"




Certa vez, um amigo me perguntou: "Por que as pessoas amam?". Acredito que ele estava se referindo ao amor romântico entre um homem e uma mulher, mas eu lhe dei uma resposta mais geral:

"Porque nós somos como o carbono e os outros elementos: precisamos nos ligar a outros átomos para nos estabilizar. Ah, e não existe ninguém gás nobre."

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Sim, a forma é - realmente - puro plágio. Vai me processar? =D

10 de abr de 2007

Noite na floresta

Anoitecera na floresta. O céu tornara-se um manto escuro adornado por muitos pontos brilhantes. A lua resplandecia grandiosa, era uma imensa pérola que flutuava majestosamente no céu noturno. Aquela era uma confortável noite de primavera. Uma brisa cálida passeava por entre as árvores cumprimentando seus habitantes como um sopro maternal. Era difícil acreditar que a algumas semanas atrás um vento gelado dominara aquela mata.

Hansi estava deitado sobre a grama, à margem de um riacho. Rynlon, ao seu lado, saboreava a carne de uma lebre suculenta. O sentinela observava as estrelas, ele sabia o nome de muitas delas. Naquele exato momento apreciava a constelação do hipogrifo. Aquela visão trazia-lhe lembranças. Lembranças agradáveis de um passado distante. Canções ecoavam em sua mente, os mais belos sons que já ouvira: o cântico das sacerdotisas de Sehanine Moonbow[1].

Apesar da atmosfera que o envolvia, o coração do ranger estava preocupado. Recentemente, ele descobrira que batedores orcs vagavam pela floresta. Algo inadmissível. Não entendia porque o arqui-ranger Adennon não organizara grupos de caça para exterminá-los quando soube da notícia. Ao invés disso, o líder dos millikars[2] apenas aumentara o número de patrulhas na borda ocidental da floresta. Vários dos sentinelas mais jovens ficaram descontentes com a decisão, mas nenhum deles se sentiu mais frustrado do que Hansi.

Um uivo alto ecoou pela noite. Rynlon se levantou abruptamente e começou a caminhar apreensivo. O sentinela não entendeu porque o animal ficara daquele jeito: sempre houve lobos naquela floresta e não era de se espantar que eles uivassem naquela noite de lua cheia. Tentou acalmar o cão, mas não obteve sucesso. Alguns minutos depois, o cachorro começou a ladrar em direção à margem oposta do riacho. Hansi espremeu os olhos para aquele lado e demorou para enxergar alguma coisa. Por fim, avistou uma forma saindo de trás das árvores.

Era, de fato, um lobo, mas havia algo de estranho nele. Sua pelagem parecia tão escura quanto as sombras da noite. O lupino caminhou até a beira do córrego e parou. Olhou na direção de Rynlon - que parara de ladrar - e, em seguida encarou Hansi. Havia um brilho nos olhos do lobo, o sentinela desconfiou que o animal o estava analisando. Passaram-se alguns segundos até ele voltar pelo mesmo caminho de onde viera. O ranger estava com o arco na mão, mas não viu motivos para disparar contra o animal, deixou-o partir. Demorou quase uma hora para Rynlon se tranquilizar. Isso preocupou o patrulheiro, que não dormiu bem naquela noite.

Veio a aurora, e com ela o canto de muitos pássaros. O seu cão já estava acordado quando Hansi se levantou. O meio-elfo juntou suas coisas e foi atrás de Adennon. O arqui-ranger morava numa pequena cabana de madeira e palha numa clareira da floresta. Era nesse lugar que os millikars haviam se reunido no dia anterior. A porta se abriu antes que o sentinela pudesse bater. Um homem velho - mas vigoroso - surgiu diante dele e o saudou com um sorriso:

- Olá, Hansi. Eu queria mesmo falar com você. Entre.

A cabana tinha uma mobília muito simples. Pouco mais do que uma pequena mesa de madeira, alguns bancos e uma cama de palha. Mas as paredes eram densamente adornadas. E Hansi achou aqueles adornos mais interessantes do que quaisquer pinturas que pudessem enfeitar a casa do mais rico dos nobres. Havia meia dúzia de arcos, um par de bestas e mais de dez adagas e espadas leves. Nenhuma arma era igual à outra, elas diferiam em tamanho, forma ou no material de que eram feitas. O sentinela desconfiou que cada uma tinha uma história diferente pra contar
também.

Assim que Hansi sentou-se num banco, Adennon perguntou:

- Algo o aflige, meu jovem?

- Ah... sim. Na noite passada, vi um animal bastante estranho. Um lobo de pelagem muito escura. Ele tinha um olhar esquisito, como se estivesse me julgando. Rynlon pareceu muito desconfortável na presença dele.

- Hmm... Um worg, talvez. Essas criaturas não habitam nossa floresta. Mas sei que há um bom número delas nas montanhas do oeste. Não são lobos normais. São predadores astutos e vis.

- Lembrarei dessas palavras caso encontre um deles novamente.

- É bem possível que isso aconteça. Pois quero que você continue patrulhando a borda oeste de nossa mata.

Hansi ficou supreso com essa palavras. Porque era exatamente a ala ocidental da floresta que ele gostaria de patrulhar.

- Eu... irei.

- Mas não irá sozinho.

Mais uma vez, o meio-elfo ficou surpreso. Sabia que o arqui-ranger estava mandando os patrulheiroso andar em pequenos grupos, mas Hansi sempre vagara sozinho pela floresta, não esperava ter que andar com alguém além de Rynlon.

Absorto em seus pensamentos, o patrulheiro não percebera a chegada de uma figura à entrada da cabana. O estranho homem vestia um peitoral de couro simples, usava uma capa e um capuz. Trazia uma espada leve de lâmina curvada presa ao cinto e o rosto estava coberto por uma estranha máscara de pano azul desbotada
.

- Ah, esse é Tolkki. Ele o acompanhará nas patrulhas.

Longe dali, além dos limites da floresta, uma pequena gruta se abre aos pés das montanhas. Uma figura canina - recém-chegada - narra sua incursão na floresta enquanto uma mão de coloração esverdeada acaricia o seu pelo negro. Quando o animal termina o relato, uma voz imponente se propaga pelo local:

- Bom trabalho, meu amigo. Bom trabalho.


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[1] Sehanine Moonbow é a deusa élfica dos mistérios, do céu, da lua e das estrelas. Seus servos atuam como conselheiros espirituais, realizam funerais e velam pelos mortos.

[2] Millikars, são os guardas de Mielikki, deusa cultuada por rangers, fadas e outras criaturas das florestas.

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Este post é o segundo sobre Hansi, o sentinela. Espero ainda escrever bastante sobre esse personagem. Pra quem não leu o primeiro, ou quiser reler, veja aqui.

4 de abr de 2007

Alguns Comentários

Primeiro, eu gostaria de dizer que fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que disseram que não gosta de poesia. Quase todos que comentaram no post anterior disseram isso. Bom, talvez não seja tão surpreendente assim. Eu mesmo não costumo ler poesias, nem em livros nem "avulsas" por aí. Acho que isso vem de como foi ensinado pra mim no colégio: eu não costumava entender as poesias trabalhadas em sala e os professores ainda davam interpretações às quais eu só podia replicar com um: "Sóóó..." Mas - estranhamente - sempre gostei de me aventurar no mundo dos versos: escrevendo.

Outra coisa que eu queria falar é que desisti de postar num futuro próximo as histórias da campanha que mestrei em Arton. Eu simplesmente não me sinto mais empolgado para criar - ou recriar - no cenário de Tormenta, é incrível! Estou participando como jogador de uma campanha neste cenário, está legal, mas para eu mestrar ou escrever contos não rola mais. Foi mal, amigos.

Bem, nesta quinta-feira estarei viajando. Pra quem fica, eu desejo um ótimo feriado. Pra quem ainda não viu, eu digo: assistam 300!

Semana que vem tou de volta. Tenho um texto quase pronto para postar. Farei isto quando voltar.

See you guys!

20 de mar de 2007

Preto, Branco e Cinza

Somos todos diferentes
Somos todos iguais
Seres vivos, conscientes, racionais

Tu pintas de branco
Ele colore de preto
No jogo do ódio
Nos cobrimos de vermelho

Viva ao branco
Viva ao preto
Viva ao rei
Viva ao peão
Viva ao gay
Viva à rainha
Viva à espada
na bainha

O que é paz?
O que é harmonia?
O que faz
a melodia?
Quero mais
Quero alegria
Quero paz
e harmonia

Somos todos diferentes
Somos todos iguais
Seres vivos, emotivos e mortais


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Lampejo de criatividade. Melhor aproveitar.

19 de mar de 2007

Padres prostestam no Vaticano

Março, 2017

Roma acordou agitada nesta terça-feira. Às cinco e meia da manhã, podia-se ver uma imensa cortina de fumaça subindo da Praça São Pedro. Uma batalhão da polícia romana foi acionada e enviada ao local.

Os homens da polícia, que suspeitavam de um ataque terrorista, ficaram espantados ao constatar que se tratava de uma manifestação. Não uma manifestação qualquer, mas uma manifestação organizada por padres. A multidão era composta por quase 9 mil sacerdotes, não apenas italianos, mas também espanhóis, portugueses e até sul-americanos. Eles teriam apedrejado e incendiado dois ônibus de uma empresa de turismo que realiza passeios turísticos ao Vaticano.

Os padres protestam contra a nova medida proposta por cardeais de Roma e aprovada pelo Papa João Paulo III na última sexta-feira, conhecida como o "Santo Altruísmo". Segundo os manifestantes, a medida obriga os padres a prestarem serviços extra à Igreja e à comunidade sem qualquer remuneração adicional.

Os padres pedem não apenas a anulação da medida, mas também a mudança de várias regras da Igreja: como a extinção do celibato, a permissão de sacerdócio para mulheres e o fim da Lei da Partilha*.

Os padres ameaçaram invadir o Palácio Papal e só recuaram quando homens da polícia usaram bombas de efeito moral para detê-los. Depois disso, eles rezeram o Pai Nosso de mãos dadas e ergueram cartazes com dizeres do tipo: "Padres de todo mundo, uni-vos", "Nós também amamos", "Eles não sabem o que fazem". Alguns policiais largaram suas armas e juntaram-se aos padres no momento da oração.

Entrevistado, um bispo espanhol disse que essa devia ser a maior manifestação anti-católica desde a Reforma Protestante no século XVI.


*
A Lei da Partilha foi uma medida aprovada no ano passado estabelecendo que os bens de um padre são passados para a Igreja Católica quando ele morre.

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Me veio como um relâmpago, escrevi feito um raio e postei. =]

5 de mar de 2007

Viciados Anônimos

20:13

- Olá, pessoal. Boa noite!
- Boooa noooite!
- Bom, que tal a gente começar conhecendo nosso novo amigo. A partir de hoje, ele vai frequentar as reuniões conosco. Italo, pode se apresentar.
- Cof! Bom, meu nome é Italo. Tenho 20 anos. Sou universitário. E meu vício é... SNEAK ATTACK!!!

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Mensagem do dia: "Não há pedras no caminho. São A-E-RO-LI-TOS!"

23 de fev de 2007

Conselho aos mais jovens

Eu ainda não cheguei naquela idade em que me sinto velho, sábio e nostálgico. Naquele ponto onde a pessoa tem muitos conselhos para dar à "juventude". Mas, com minhas duas mízeras decadinhas de vida, eu tenho um conselho a dar aos mais jovens: "Não faça Química Industrial" - pelo menos não na mesma universidade que eu.

O curso é difícil? Afirmo convictamente que sim. Mas esta é uma afirmação suspeita, já que os universitários têm o mal hábito de sempre achar que o seu próprio curso é o mais difícil, ou que tem menos estágios, ou menos oportunidades de emprego, etc. Tem os cálculos, físicas e químicas que, por mais que você goste dessas matérias, nunca são triviais. Todos conhecem a famosa frase: "Fácil de entrar, difícil de sair". Totalmente correta, por sinal. Mas isso não é o pior.

Nesse curso, você anda! Sim, suas aulas são heterogeneamente distribuídas em três centros diferentes (às vezes quatro). E você tem que ficar pra lá e pra cá feito um abestalhado. Ah, e nenhum dos centros fica perto do posto de tickets e da biblioteca. Ah, e você não tem biblioteca setorial. Ha! Bom, biblioteca setorial até tem (agora), mas não há livros da sua área e não estão disponíveis para empréstimo. Maravilha, Alberto!

Ah, mas não cheguei ao pior; não, não, não. O pesadelo é a matrícula! Nunca tem vagas suficientes - mesmo se for uma disciplina do seu período. Não são respeitados os dias de matrícula relativos a cada período. Resultado: você chega no primeiro dia de matrícula às 8h, já tem em média 30-40 pessoas na sua frente, você espera 2-3 horas pra conseguir entrar na coordenação, não consegue pegar metade das disciplinas que queria (metade delas num horário diferente do que você se programou) e ainda leva um esporro "Hoje não era o seu dia!". Aí depois de ir umas três ou quatro vezes na coordenação durante essa semana você consegue um horário meia-boca e se dá por satisfeito.

Eu poderia falar também do "amplo" mercado que há para químicos industriais no nosso estado ou das "inúmeras" oportunidades de estágio, mas seria enfadonho fazer isso. Se você gosta muito de química, faça Bacharelado: a vida de pesquisador pode ser deveras interessante. Se você pretende fazer concursos para empresas de água ou energia acredito que o mais indicado é o curso de Engenharia Química. Caso você tenha interesse em prestar concurso para Perito Químico de alguma Polícia aí, faça Farmácia: o que cai de toxicologia nessas provas não tá no gibi.

Claro, em outras universidades as coisas podem ser diferentes. E pode ser que o curso na "daqui" venha a melhorar daqui a uns anos. Espero que sim. Contudo, por enquanto, é melhor não arriscar.

Ah, mais um conselho: cuidado com os engenheiros de produção! Eles podem até ser legais, mas são loucos! Não confie neles.

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Mensagem do dia: "Não fume drogas injetáveis"

30 de jan de 2007

Escândalo

Era um bairro residencial como muitos outros de uma grande cidade. Onde as crianças brincam na rua até oito horas da noite e os vizinhos passam horas conversando na calçada. Um bairro tranquilo, difícil de se encontrar hoje em dia. Mas, naquela noite, não houve tranquilidade.

A origem do barulho vinha do portão de uma casa. Uma jovem ruiva esbravejava continuamente contra um rapaz forte à sua frente, e este mal conseguia esboçar respostas para suas fulminantes acusações. Dezenas de pares de olhos e de ouvidos espreitavam das casas vizinhas: todos queriam achar um bom lugar para ver e ouvir a cena sem serem notados. As pessoas que passavam na rua procuravam um bom lugar nas casas próximas. Até pessoas de duas ou três ruas dali se "instalaram" na residência de algum conhecido para apreciar o espetáculo.

A verdade é que não dava para ouvir direito o que a mulher dizia. Ela gritava histericamente e suas palavras se diluíam no pranto e na rouquidão. Mas algumas palavras-chave sobressaíam claramente: "seu cachorro", "eu vi", "se esfregando", "eu vi", "aquela vadia", "celular", "pensou que eu não ia saber", "eu vi, eu vi", "seu cachorro", "aquela rapariiiga".

Quando ela se calou por um instante, o rapaz falou algo em resposta que soou baixo demais para os vizinhos ouvirem. A mulher pareceu despertar de seu pranto imediatamente. Sua mão tracejou uma trajetória em forma de arco e atingiu com firmeza o rosto do coitado. O estalo foi perfeitamente audível. O homem desequilibrou e deu dois passos para trás, ficou completamente desnorteado.

A jovem ruiva abandonou a casa antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. Entrou no carro e sumiu. Os vizinhos ainda estavam com a mão à boca quando o automóvel roncou para longe. Pouco depois, o homem entrou em sua casa com um claro ar de derrota. Foi só a porta bater atrás dele que uma multidão foi saindo das casas vizinhas. Pela quantidade de gente na rua, parecia que acabara uma missa de domingo.

Por mais de um mês aquele foi o assunto mais comentado no bairro, das ruas de cima às ruas de baixo, e até em bairros vizinhos. A história foi aumentada e inventada. Alguns disseram que o rapaz havia traído a namorada com sua melhor amiga, outros juravam que ele havia sido pego no carro com duas mulheres, havia o boato ainda de que ele virara gay, e alguns - ainda- disseram que o sem-vergonha estava no carro com dois homens.

A vida do rapaz no bairro foi complicada durante uns dois meses. Todos o olhavam com um ar de censura. Até que correu o boato de que a filha do padeiro - de 17 anos - estava grávida. E ninguém sabia quem era o pai. Claro que cada um no bairro tinha o seu palpite.

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19 de jan de 2007

A Taverna do Orc Manco

Olá! Entre, entre, entre. Seja bem-vindo à Taverna do Orc Manco. Nunca vi sua cara por aqui, ´cê é novo na cidade? Ah, um viajante cansado? Veio pro canto certo. Minha taverna é um lugar onde ´cê pode encontrar todo tipo de gente, tomar uma boa cerveja e ouvir boas estórias.

Pensando em abrir um negócio por essas bandas, hein? Hah! Lajedo é um canto cheio de oportunidades, mesmo. Senta aí, vou mandar a Gillian trazer uma cerveja pr´ocê. Antes que eu me esqueça, meu nome é Gronmir... A propósito, ´cê tem algum cobre aí, né? Eu posso até ser um orc gentil, mas não sou um orc trouxa!


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Apresento-lhes a Taverna do Orc Manco, um lugar importante de uma saudosa campanha de AD&D mestrada por mim. *suspiro*. Pretendo postar algumas estórias contadas na taverna de agora em diante, lembrando fatos ligados ou não com a campanha. Tentarei fazer isso mensalmente. Tenho certeza de que pelo menos duas pessoas ficarão satisfeitas em recordar esse ambiente agradável. =D

1 de jan de 2007

Ano Novo

2007. Ano Novo. Brindemos, bebamos, comamos, comemoremos. Muita saúde, paz e dinheiro no bolso. Bleeeeeeerg!

Eu sempre achei o Reveillon[1] uma data meio sem significado. Os outros feriados homenageam algum acontecimento histórico importante ou uma pessoa ilustre de uma nação. O Reveillon não, marca o fim de um ano no calendário cristão, nos diz que estamos no 2007º ano depois de Cristo - acho que seria mais adequado chamar desde Cristo - engraçado, acho que o Natal deveria nos dizer isso, já que é o aniversário do Homem.

Se preferir, podemos considerar que estamos comemorando o término de mais uma revolução da Terra em torno do sol - ótimo para os ateus, hein? Isso pode gerar uma comparação interessante: assim como a Terra, um ciclo em nossas vidas se completou e outro está começando[2]. É um ótimo momento para olhar para trás e, em seguida, olhar para frente.

PDCA[3]. Plan, Do, Check, Act. Uma ferramenta útil usada na administração de empresas. Um ciclo conhecido como Método de Melhorias, consiste em quatro fases:

*Planejar;
*Executar;
*Checar os resultados;
*Agir corretivamente (fazer mudanças?).

A virada do ano é um momento interessante para checar nosso "desempenho" em 2006 e planejar mudanças. Traçar metas para 2007 ou mais além.

É hora de costurar nossas bandeiras e remendar nossos estandartes. Contar os espólios adquiridos, dessamassar as armaduras e forjar novas armas. Fazer um balanço da batalha e reavaliar a estratégia.

Só então, desembainhar as espadas e cavalgar em frente, de volta à batalha. Rumo aos nossos sonhos, a consquistas e glórias. *hic*. Feliz Ano Novo!


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[1] - Alguém sabe o que significa essa palavra?
[2] - Claro, que o dia 31 de dezembro é uma escolha arbitrária, você poderia escolher o 8 de março, o 1º de abril, o 28 de junho, 22 de setembro... tanto faz. E só um referencial, tão arbitrário quanto o 31 de dezembro. ^^
[3] - Olha só, Controle de Qualidade, 4 créditos que me ensinaram alguma coisa...