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9 de jun. de 2006

O Primeiro Passo

Era um dia de Junho como outro qualquer. As nuvens e o sol se revezavam no céu naquele fim de outono. Eu tinha muito o que estudar. Subi a rampa rapidamente e procurei um lugar tranquilo para ficar; antes de encontrar algum, eu vi... ela!

Estava sozinha numa mesa, estudando. O vento fazia seu cabelo esvoaçar, deixando descoberto aquele lindo rosto. Era difícil defini-la. "Algo entre uma boneca de porcelana e uma fada de chocolate" - eu pensei.

A matéria parecia complicada, ela franzia a testa com frequência, mas isso nem de longe diminuía seu charme; na verdade, parecia acentuá-lo. Devia ter terminado alguma questão quando a vi abrir aquele sorriso, simplesmente... encantador.

Eu poderia ter passado horas ali observando-a, mas ela levantou o rosto e me viu. Seu olhar me atingiu como uma flecha e eu pude sentir uma batida acelerada no meu peito. Retribui o olhar dela com um sorriso leve e trêmulo. Ela acenou com a mão e eu caminhei até a mesa.

"Essa é a sua chance" - eu pensava. "Você tem que tentar". Eu sabia que se não tentasse poderia ser tarde demais, talvez não tivesse outra chance. Cheguei à mesa e a cumprimentei; antes de pegar meu material, perguntei:

-Posso estudar aqui?
-Claro - ela respondeu.
-Parece difícil esse assunto - eu disse apontando o caderno dela.
-Não, é não, eu é que sou tapada.
-Você sabe que não é - eu retruquei enquanto sentava na cadeira à sua frente. Ela respondeu com um leve sorriso.

Eu não consegui pensar em provas ou trabalhos depois disso. Na minha frente havia livro, caderno, apostila, e anotações, mas tudo parecia ilegível. Minha cabeça estava tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto... De repente, ela quebrou o silêncio:

-Alguma coisa errada, tico? Você parece... sei lá, preocupado...

"Essa é sua chance" - repetia aquela voz na minha mente. Mas, o que dizer? Pensei naquela frase que me veio à cabeça no dia anterior: "Quando pousei os olhos em ti, eles não quiseram mais voar"; ela, contudo, ouviu algo diferente:

-Ah... será que... você não gostaria... de sair um dia desses... comigo?

26 de fev. de 2006

Orações ao meu amor

Amo-lhe
Mas não a amo
Não posso amá-la
Não diretamente
Apenas nos meus desejos e sonhos
Ela torna-se meu objeto de amor
Amo-lhe indiretamente

Amo-te de todos os modos
Amo-te sem-modos
Amo-te com certeza
Na dúvida, te amo
Amo-te no sim e no não
No bem e no mal
Hoje e amanhã
Aqui e acolá
Talvez, por acaso, quiçá

Meu amor é circunstancial, atemporal, paradoxal

A este amor estou subordinado
Sou passivo deste amar
Apenas um sujeito tratado como objeto
Apenas um agente para apassivar

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*Fazia "séculos" que não escrevia um poema...
**e "meses" que não escrevia coisa alguma hehehehe